Saímos de Belém na segunda-feira, dia 9 de março. Dia 14, entre as 8 e as 9 horas estávamos entre as Canárias, mais parto da Grande Canária. O dia estava bem tranqüilo e passeamos por lá. Domingo, dia 22, mais ou menos às dez horas, avistamos a Ilha de Cabo Grande. Na terça-feira, logo pela manhã, Ataíde tinha se perdido com sua embarcação do resto da frota. Não sabíamos o motivo. O capitão se empenhou para encontrá-lo, em algumas partes, mesmo assim ele não apareceu mais. E seguimos nosso caminho pelo longo mar. No dia 21 de abril encontramos alguns sinais de terra, onde, segundo os pilotos diziam, havia uma grande quantidade de ervas compridas, que os navegantes chamam de Botelho. Na quarta-feira seguinte, pela manhã, encontramos aves que chamam de farabuchos. Neste mesmo dia, avistamos terra! Primeiro vimos um grande monte de terra, muito alto e redondo, seguido de serras mais baixas ao sul, montanhosas, com grandes arvoredos. O monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz!Mediram a profundidade. E acharam cerca de 50 metros. Lançamos ancoras em cerca de 38 metros, ancoragem tranqüila. Passamos toda a noite ali mesmo. Quinta-feira, pela manhã, fizemos as velas e seguimos em direção à terra, indo os navios pequenos na frente, até que lançamos ancoras, em frente da boca de um rio. E chegaríamos a esta ancoragem, em pouco mais ou menos, às dez horas.
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