quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Ouro e prata

Os seus cabelos eram lisos, cortados acima da orelha. Por cima dos cabelos um cocar, que cobria os cabelos num corte redondo e igual em suas partes.
O capitão, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira, com os pés em um tapete, bem vestido e carregando ao pescoço um colar de ouro grande. E Sancho de Tovar, e Simão de Miranda, e Nicolau Coelho, e Aires Corrêa, e os outros que no navio também foram, ficaram sentados no tapete e acenderam tochas. Os índios que vieram, não expressaram saudação nenhuma, nem com o capitão e nem outro tripulante do navio. Mas um deles admirou o colar que o capitão trazia ao pescoço e fez acenos em direção a terra e depois para o colar demonstrando que ali também tinha ouro e para um castiçal indicando que também tinha prata.
Mostraram-lhes também um papagaio que o capitão trazia consigo, e os índios acenaram como se ali também o tivesse. Mostraram um carneiro e eles nem ligaram e uma galinha, tiveram medo e suas feições eram de espanto. E foram trazidas comidas servidas no navio, não quiseram comer quase nada e quando comiam logo jogavam fora. O vinho e água também foram servidos não gostaram de nada e nem quiseram mais.
Um deles viu umas contas de rosário, brancas; e acenava para a terra e para as contas e para o capitão, como trocariam ouro por aquilo.
Isso era o que parecíamos entender. Mas se o significado era outro não tínhamos como saber. E então se estiraram de costas no tapete, a dormir sem se preocuparem com suas partes intimas exposta, as quais eram bem raspadas.
O capitão mandou pôr em baixo da cabeça deles travesseiros, e os cobriram e consentindo, aconchegaram-se e adormeceram.

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