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quinta-feira, 15 de maio de 2008
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Saltando e dançando
Acabada a pregação encaminhou-se o capitão, com todos nós, para os barcos, com nossa bandeira alta. Embarcamos e fomos indo todos em direção a terra para passarmos ao longo por onde eles estavam indo na dianteira, por ordem do capitão, Bartolomeu Dias em seu barco, com um pau de uma canoa que o mar levara, para entregar a eles. E nós todos atrás dele, a uma curta distância.
Como viram o barco de Bartolomeu Dias, chegaram logo todos a água, entrando no mar até onde podiam alcançar os pés na areia. Acenaram-lhes que colocassem os arcos na terra e muitos deles logo colocaram e outros não.
Andava lá um que falava muito aos outros, que se afastassem. Este andava com arcos e setas, todo colorido com tinta vermelha pelos peitos e costas e resto do corpo. A tinta era tão forte que não saia mesmo quando ele entrava na água. Saiu um homem do barco de Bartolomeu Dias e andava no meio deles, sem implicarem com ele, e sem intenção de machucá-lo. Apenas lhe davam vasilhas com água e acenavam aos barcos que saíssem de terra. Com isto Bartolomeu Dias se voltou pra o capitão. E voltamos aos barcos, comemos, tocamos trombetas e gaitas, sem os mais constranger. Eles tornaram se a sentar na praia, e assim por então ficaram.
E nesta ilhota, onde fomos ouvir missa e sermão, espalhava muita água e aparece na beira muito cascalho de conchas do mar. Enquanto lá estávamos alguns foram pegar mariscos e não acharam. Mas encontraram camarões grandes e muitos grossos. E depois veio todos comer.
E entre muitas falas que sobre o caso se fizeram, por todos ou a maior parte, que seria muito bem.e nisto todos concordaram. E logo que a resolução foi tomada, perguntou mais se seria bem tomar por forca um pra destes homens para mandar a vossa alteza, deixando aqui em lugar deles outros dois destes degredados.
Postado por Pero Vaz às 14:28 0 comentários
No seu barquinho
Não dava pra entender nada do que diziam, pois faziam muito barulho juntos e falavam de uma só vez causando tumulto. Assim pedimos para que fossem embora e assim fizeram atravessando o rio. Saíram uns três ou quatro homens dos barquinhos e encheram não sei quantos barris d ´ água. E voltamos para as naus. Quando estávamos indo acenaram para que voltássemos e assim fizemos e mandaram ir conosco o degredado pois não queriam que ficassem lá com eles. Este trazia uma bacia pequena e duas ou três carapuças vermelhas para quando chegar dar ao senhor se ele estivesse lá. Não lhe tiraram coisa alguma antes mandaram – no com tudo. Mas então mais uma vez Bartolomeu Dias o fez voltar.
E tinha um que já era de idade, andava cheio de penas, pegadas pelo corpo e parecia ferido com flecha como São Sebastião. Outros traziam carapuças de penas amarelas e outros de penas vermelhas e outros de verde. E outras daquelas moças eram tingidas de baixo a cima daquela tintura e de certo eram tão bem feitas e redondas e suas vergonhas tão bonitas que se as mulheres da nossa terra vissem iriam ficar com vergonha por não terem iguais às delas. Nenhum deles eram mutilados, mas todos assim como nós.
E com isso voltamos e eles se foram.
À tarde saiu o capitão – mor no seu barquinho e todos nós também nos nossos barquinhos a passear e divertir – se pela baía, perto da praia, mas ninguém saiu em terra todos estavam nos barquinhos, pois o capitão não deixou, apenas saiu ele e nós em um ilhéu grande que está na baia o qual quando a maré baixa fica muito vazio. Com tudo esta de todas as partes cercado por água, de sorte que ninguém pode ir lá a não ser de barco ou a nado. Ali folgou ele e todos nós bem uma hora e meia. E pescaram lá, andando alguns marinheiros com uma rede e mataram poucos peixes pequenos e depois voltamos às naus, já bem noite.
No domingo seguinte ao da páscoa, pela manhã determinou o capitão ir ouvir a missa e sermão naquele ilhéu e mandou todos os capitães que se arranjassem nos barquinhos e fossem todos com ele e assim foi feito. Mandou armar um pavilhão naquele ilhéu e dentro levantar um altar muito bem arranjado. E ali com todos nós fez dizer missa, a qual disse o padre frei Henrique em voz entoada e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes que todos assistiram, a qual missa, segundo o meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção.
E ali estava com o capitão a bandeira de Cristo, com que saíra de Belém, a qual esteve sempre bem alta, da parte do Evangelho.
Quando a missa acabou, desvestiu – se o padre e subiu a uma cadeira alta e nós todos lançados por essa areia e pregou uma solene e proveitosa pregação, da história evangélica e no fim tratou da nossa vida e do descobrimento dessa terra referindo – se à Cruz, sob cuja obediência viemos e fez muita devoção.
Postado por Pero Vaz às 14:27 0 comentários
Ouro e prata
Os seus cabelos eram lisos, cortados acima da orelha. Por cima dos cabelos um cocar, que cobria os cabelos num corte redondo e igual em suas partes.O capitão, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira, com os pés em um tapete, bem vestido e carregando ao pescoço um colar de ouro grande. E Sancho de Tovar, e Simão de Miranda, e Nicolau Coelho, e Aires Corrêa, e os outros que no navio também foram, ficaram sentados no tapete e acenderam tochas. Os índios que vieram, não expressaram saudação nenhuma, nem com o capitão e nem outro tripulante do navio. Mas um deles admirou o colar que o capitão trazia ao pescoço e fez acenos em direção a terra e depois para o colar demonstrando que ali também tinha ouro e para um castiçal indicando que também tinha prata.
Mostraram-lhes também um papagaio que o capitão trazia consigo, e os índios acenaram como se ali também o tivesse. Mostraram um carneiro e eles nem ligaram e uma galinha, tiveram medo e suas feições eram de espanto. E foram trazidas comidas servidas no navio, não quiseram comer quase nada e quando comiam logo jogavam fora. O vinho e água também foram servidos não gostaram de nada e nem quiseram mais.
Um deles viu umas contas de rosário, brancas; e acenava para a terra e para as contas e para o capitão, como trocariam ouro por aquilo.
Isso era o que parecíamos entender. Mas se o significado era outro não tínhamos como saber. E então se estiraram de costas no tapete, a dormir sem se preocuparem com suas partes intimas exposta, as quais eram bem raspadas.
O capitão mandou pôr em baixo da cabeça deles travesseiros, e os cobriram e consentindo, aconchegaram-se e adormeceram.
Postado por Pero Vaz às 14:22 0 comentários
Na boca do rio
O capitão mandou Nicolau verificar aquele rio que paramos em frente e assim ele fez. De modo que, enquanto Nicolau se dirigia para o rio os homens que já estavam na praia o seguiram correndo em par e em trio e quando o barquinho chegou no rio, surpresa! Já estavam lá uns dezoito ou vinte juntos.
Eram pardos, estavam nus, estavam com arcos e flechas nas mãos e vinham todos fortemente em direção ao pequeno barco. E Nicolau fez um sinal para eles para que abaixassem os arcos e eles baixaram, mas não podia - se compreender o que eles falavam por causa do barulho do mar.
Nicolau arremessou seu chapéu preto e uma carapuça de linho na direção deles e um deles lhe arremessou um cocar de penas vermelhas e pardas. E outro lhe deu um colar de continhas brancas parecendo pérolas e com isso voltaram os barcos por já ser tarde.
A noite seguinte ventou tanto e choveu que fez recolher as naus. Na sexta – feira pela manhã às oito horas, o capitão fez levantar as ancoras e fazer levantar as velas e fomos com os barquinhos para ver se achávamos abrigo para apanharmos lenha e pegar água para nos prevenirmos aqui. Quando levantamos vela já estariam na praia assentados perto do rio uns sessenta ou setenta homens. O capitão mandou procurar lugar seguro para as naus. Achamos lugar seguro para os barcos repousarem com segurança.
O Capitão mandou Afonso sondar o porto onde os barcos ficaram guardados e Afonso chamou para ir consigo dois rapazes que estavam numas canoas grandes, uns 27m, que por perto estavam, um deles estavam com um arco e umas cinco ou seis flechas, na praia havia muitos que andavam com arco e flecha, mas não faziam uso delas. Já de noite Afonso os levou para a Capitania, onde foram recebidos com muito prazer e festa.
Eles têm bons rostos e narizes, bem feitos, de cor parda, um tanto avermelhada. Andam totalmente nus, não se intimidam de mostrar suas vergonhas, como mostram a cara. São muito inocentes. Os dois traziam os lábios furados por um osso do tamanho de uma mão atravessando verticalmente o lábio inferior, quase da grossura de dois dedos e era agudo na ponta, mas que não os dificultavam de falar e nem de comerem e beberem.
Postado por Pero Vaz às 14:18 0 comentários
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Longo mar
Saímos de Belém na segunda-feira, dia 9 de março. Dia 14, entre as 8 e as 9 horas estávamos entre as Canárias, mais parto da Grande Canária. O dia estava bem tranqüilo e passeamos por lá. Domingo, dia 22, mais ou menos às dez horas, avistamos a Ilha de Cabo Grande. Na terça-feira, logo pela manhã, Ataíde tinha se perdido com sua embarcação do resto da frota. Não sabíamos o motivo. O capitão se empenhou para encontrá-lo, em algumas partes, mesmo assim ele não apareceu mais. E seguimos nosso caminho pelo longo mar. No dia 21 de abril encontramos alguns sinais de terra, onde, segundo os pilotos diziam, havia uma grande quantidade de ervas compridas, que os navegantes chamam de Botelho. Na quarta-feira seguinte, pela manhã, encontramos aves que chamam de farabuchos. Neste mesmo dia, avistamos terra! Primeiro vimos um grande monte de terra, muito alto e redondo, seguido de serras mais baixas ao sul, montanhosas, com grandes arvoredos. O monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz!Mediram a profundidade. E acharam cerca de 50 metros. Lançamos ancoras em cerca de 38 metros, ancoragem tranqüila. Passamos toda a noite ali mesmo. Quinta-feira, pela manhã, fizemos as velas e seguimos em direção à terra, indo os navios pequenos na frente, até que lançamos ancoras, em frente da boca de um rio. E chegaríamos a esta ancoragem, em pouco mais ou menos, às dez horas.
Postado por Pero Vaz às 12:01 0 comentários
A terra dos sonhos
O que vou relatar aqui foi uma experiência que jamais vou esquecer.
Recebi um convite de uma amigo para uma expedição em uma terra linda. Aí vc se pergunta: que terra era essa? No decorrer do tempo vou contar mais detalhadamente, porque as maravilhas que vi não se resumem em poucas palavras. Porém, o que posso dizer agora e que, até hoje, nunca vi terra igual. Frutos que na querida Portugal não havia encontrado. Clima tropical.Os nativos... seres totalmente excêntricos. Terras banhadas por águas refrescantes e límpidas...
Postado por Pero Vaz às 10:47 2 comentários



